Cultura, memória e resistência: Aza Njeri lança ‘Somos sol vivo’ e propõe nova ética para o presente

Foto : Divulgação


Entre memória familiar e crítica social, a escritora e pesquisadora carioca utiliza princípios como Sankofa e Ubuntu para reavaliar costumes, a política e a arte no país.

O Brasil ainda tem uma dívida profunda com a memória da população negra – uma narrativa muitas vezes silenciada, fragmentada ou relegada às margens da história oficial. Em meio às persistências do racismo e às disputas em torno do eurocentrismo, revisitar o passado torna-se um exercício urgente de reconstrução do presente. É nesse cenário que chega às livrarias "Somos sol vivo: ensaios radicais sobre experiências da Vida", novo livro da escritora, pesquisadora e professora Aza Njeri, lançado pela editora HarperCollins.


Na obra, a autora mobiliza o princípio de Sankofa (símbolo adinkra que representa a sabedoria de olhar para o passado para construir o futuro) para afirmar que o retorno às origens é um movimento fundamental para a recuperação da humanidade e da identidade negra.


O conceito de 'Sol Vivo' e a Solaridade

Com uma narrativa fluida e profundamente emocionante, o livro reúne ensaios que partem da história pessoal e familiar da própria Aza Njeri para tecer reflexões críticas sobre o sistema sociopolítico global, a cultura e as artes.



Ao longo das páginas, a autora desenvolve o conceito de "Sol Vivo". Compreendido como um princípio essencial de vitalidade, o termo carrega a responsabilidade coletiva de nutrir o brilho de cada indivíduo, contribuindo para a construção de uma humanidade pautada na Solaridade. Em contraponto ao individualismo ocidental, essa perspectiva comunitária da existência reorienta os valores de convivência e propõe uma celebração coletiva da vida.


Uma revolução no imaginário brasileiro

A incorporação da Solaridade como princípio transforma a maneira como compreendemos nossas origens e como nos posicionamos no presente. Sob essa perspectiva, tanto os rumos políticos quanto os artísticos passam a ser observados por lentes críticas mais consistentes, capazes de revelar como o apagamento da presença negra na constituição simbólica do país empobrece nossa compreensão do mundo.


Ao recuperar essa percepção, Somos sol vivo se revela em um tour de force onde política, história e artes se entrelaçam. Das questões raciais à crítica literária, a autora convida o leitor a refundar seu olhar, revisitando referências, memórias e possibilidades de futuro.


Foto: Divulgação



💡 O que o leitor vai encontrar na obra:

  • Filosofias Africanas em Debate: Diversas conexões sobre pensamentos ancestrais, como a filosofia Bacongo e o conceito de Ubuntu ("Eu sou porque nós somos");

  • Educação como Reparação: Um debate profundo sobre como a educação e a pesquisa são instrumentos essenciais para a reparação histórica de populações marginalizadas;

  • Gramática de Resistência: O uso e a apresentação de uma linguagem de enfrentamento como ato político necessário, aquecendo as discussões sobre letramento racial;

  • Conexão com os Adinkras: Cada capítulo do livro é relacionado a um adinkra, símbolos visuais do povo Ashanti (da região de Gana) que representam valores, provérbios e conceitos filosóficos.


O resultado é uma leitura transformadora, que atravessa quem a encontra e inspira uma reconsideração corajosa sobre o próprio percurso do Brasil e os caminhos que ainda podemos construir.


Sobre a autora:
Aza Njeri é doutora em Literaturas Africanas, professora e pesquisadora de literaturas, culturas, artes e filosofias africanas e afro-diaspóricas. Integra o corpo discente do Departamento de Letras e Artes da Cena e do Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio. Aza Njeri também é escritora, roteirista, crítica teatral e literária e youtuber.
 

 

Somos sol vivo: ensaios radicais sobre experiências da Vida
Autora: Aza Njeri | HarperCollins | ISBN: 9786555119060 | Preço: R$74,90

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