Tragédia no Cefet Maracanã abala comunidade acadêmica e reacende debate sobre segurança escolar

 

As servidoras do Cefet, Layse e Allane, que perderam a vida após serem baleadas — Imagens: Reprodução

Comunidade do Cefet Maracanã vive um dia de luto após o assassinato da psicóloga Layse Costa Pinheiro e da professora Allane Pedrotti; autor dos disparos morreu no local.

O fim da tarde desta sexta-feira (28) foi marcado por um episódio devastador no Cefet Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Duas servidoras — reconhecidas pelo trabalho, dedicação e impacto na vida acadêmica dos estudantes — foram assassinadas dentro da própria instituição. O autor dos disparos, um colega de trabalho, tirou a própria vida logo após o ataque. A comoção tomou conta de alunos, professores, funcionários e ex-servidores, que ainda tentam compreender o que levou à tragédia.


Duas carreiras brilhantes interrompidas de forma brutal


As vítimas foram identificadas como Allane de Souza Pedrotti Matos, doutora em Letras e professora com atuação destacada na coordenação pedagógica do Cefet, e Layse Costa Pinheiro, psicóloga escolar conhecida entre alunos e docentes por sua escuta atenta e olhar humano. Atacadas dentro da unidade, ambas foram socorridas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiram aos ferimentos. O Corpo de Bombeiros informou ter sido acionado às 15h50, e as atividades do turno da noite foram imediatamente suspensas. A direção decretou luto oficial de cinco dias a partir de 1º de dezembro.


Allane: pesquisadora, artista e referência acadêmica

Allane acumulava uma trajetória marcada por mérito e internacionalização. Formada em Pedagogia pela UFRJ e doutora em Letras pela PUC-Rio, realizou parte de sua pesquisa na University of Copenhagen, na Dinamarca, graças a um financiamento da Capes. No Cefet, atuava em setores estratégicos da Direção de Ensino e participava de comissões decisivas para o planejamento pedagógico. Fora do ambiente acadêmico, era artista: cantava, compunha e tocava pandeiro. Horas antes da tragédia, publicou um vídeo cantando Caetano Veloso — última memória deixada aos amigos e alunos que acompanhavam sua produção.



Layse: primeiro lugar no concurso e voz importante da Psicologia Escolar

A psicóloga Layse Costa Pinheiro ingressou no Cefet em 2014 após conquistar o primeiro lugar no concurso. Formada pela Uerj, acumulou experiência em Gestão de Pessoas e aprofundou sua atuação na Psicologia Escolar.
Era apaixonada por música e dança de salão e chegou a iniciar um mestrado em Psicologia Social, no qual também ficou em primeiro lugar no processo seletivo. Interrompeu a pós-graduação em 2017, mas seguia atuando com destaque na instituição.





Relatos de medo e desespero dentro da escola

Alunos e servidores descreveram momentos de pânico.
Muitos ouviram gritos e correrias, sem entender o que estava acontecendo. Alguns pensaram se tratar de um trote ou obra interna — até que pedidos de socorro começaram a ecoar pelos corredores. A unidade estava cheia devido a uma confraternização de fim de ano do 3º ano. Professores e estudantes se esconderam em salas e cantinas aguardando a chegada da Polícia Militar. Um docente relatou que manteve sua turma trancada, destacando a falta de preparo institucional para situações de ataque armado.

PM confirma mortes e investigações avançam

A Polícia Militar afirmou que, ao chegar ao local, encontrou as duas servidoras feridas e o autor dos disparos já sem vida. A Delegacia de Homicídios assumiu o caso. O episódio reacende o debate sobre segurança em instituições federais de ensino e o impacto do estresse ocupacional sobre profissionais da educação.

Instituição em luto

Em nota, o Cefet lamentou profundamente as perdas e reforçou que a comunidade está devastada com o assassinato de duas profissionais queridas, respeitadas e fundamentais para a estrutura pedagógica da unidade. A tragédia deixa um vazio profundo entre colegas, alunos e familiares — e abre uma reflexão urgente sobre proteção, saúde mental e cuidado dentro das escolas brasileiras.

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